As 12 funções da partícula "SE"

Antes de mais nada, é importante que você saiba que a partícula “se” pode pertencer a duas classes de palavras distintas: pronome ou conjunção. Além disso, também pode desempenhar a função de um substantivo, por derivação imprópria ou, ainda, ser sujeito de verbo no infinitivo.

Por causa dessa flexibilidade, a partícula “se” é temida por aqueles que estudam para concursos. Toda vez que esse vocábulo aparece na prova, causa ansiedade, medo, levando-nos ao erro. E esse resumo básico foi desenvolvido justamente a fim de amenizar o seu sofrimento (e o meu também, né! rs). Preparados? Então, vamos lá!

 

Partícula “SE” Conjunção


Conjunção Subordinativa Adverbial Condicional

Inicia uma oração subordinada adverbial condicional. Equivale a “caso”.

Há valor semântico de condição, hipótese.

Em outras palavras, o “se” condicional introduzirá uma oração que indica a hipótese ou a condição para a ocorrência da oração principal (não é o fato ocorrido propriamente dito).


Exemplo:

  • Se soubéssemos que o concurso não acabaria, teríamos estudado mais.

  • Caso soubéssemos que o concurso não acabaria, teríamos estudado mais.


Conjunção Subordinativa Adverbial Causal

Inicia uma oração subordinada adverbial causal. Equivale a “já que”, “visto que”, “uma vez que”.

Há valor semântico de causa, motivo, razão.

Em outras palavras: o “se” causal introduzirá uma oração que é causa da ocorrência da oração principal.

Exemplo:

  • Se deseja passar no concurso, então deverá estudar todos os dias.

  • Já que deseja passar no concurso, então deverá estudar todos os dias.


Conjunção Subordinativa Adverbial Concessiva

Inicia uma oração subordinada adverbial concessiva. Equivale a “embora”.

Lembre-se de que concessão é uma exceção à consequência natural do que deveria ocorrer. Em outras palavras, menciona um fato contrário à oração principal, porém, sem anular a ideia desta oração.


Exemplo:

  • Se ela gostou do presente, não demonstrou.

  • Embora tenha gostado do presente, não demonstrou.


Conjunção Subordinativa Integrante

Conecta duas orações, iniciando uma oração subordinada substantiva. Essa conjunção é denominada integrante, pois ela vem apenas conectar, ou seja, ligar essas duas orações. Além disso, importante ressaltar que as conjunções integrantes não possuem valor semântico.


Exemplo:

  • Só Deus sabe se ele passará no concurso do TCM.


Aprendi com alguns professores:

Como perceber se o “se” é uma conjunção integrante? Insira o termo “isto” antes do “se” e faça o teste.

  • Só Deus sabe [isto] se ele passará no concurso do TCM.

 

Partícula “SE” Pronome


Partícula Integrante do Verbo - PIV

O pronome integra o verbo, acompanhando-o em todas as suas flexões. São os chamados verbos pronominais, os quais são conjugados com seus respectivos pronomes. O “se”, nesse caso, é um “pedaço” do verbo e, por essa razão, não exerce função sintática.


Alguns verbos pronominais:

  • Arrepender-se;

  • Queixar-se;

  • Zangar-se;

  • Lembrar-se;

  • Orgulhar-se.


Exemplos:

  • Arrependeu-se de não ter estudado.

  • Queixou-se da sua reprovação.

  • Lembrou-se do compromisso.


Pronome Reflexivo

O “se”, nesse caso, indicará reflexão, isto é, equivale a “si mesmo”. O sujeito exerce e, ao mesmo tempo, sofre a ação.

Exemplo:

  • Marcela se via mais dedicada a cada prova.

  • Marcela (sujeito explícito) via a si mesma assim.


Pronome Recíproco

Possui valor de “um ao outro”. Ideia mútua.

Verbo sempre no plural, pois reciprocidade compreende pluralidade.

Exemplo:

  • Abraçaram-se com afeto.

  • Abraçaram uns aos outros.


Partícula Expletiva ou de Realce

Caso em que o “se” só está lá para dar ênfase, expressividade a um verbo intransitivo. Pode ser retirado da frase sem que haja prejuízo semântico à oração, uma vez que a sua presença não produz quaisquer diferenças de natureza sintática. Seu emprego, portanto, é apenas estilístico.

Exemplo:

  • Ela foi-se embora.

  • Ela foi embora.


Pronome Apassivador - PA

Antes de mais nada, é importante compreender que existem dois tipos de voz passiva:

  • Voz passiva analítica (verbos ser/estar + particípio).

  • Voz passiva sintética (sentença é resumida pela presença da partícula “se” apassivadora).

Não são todos os verbos que possuem voz passiva. O “se”, nesse caso, vem ligado, em regra, a um verbo transitivo direto (VTD) ou transitivo direto e indireto (VTDI). Importante destacar que ocorrerá com verbos que contenham transitividade direta, mas não haverá objeto direto propriamente dito.


Em resumo, são requisitos para que o vocábulo “se” seja partícula apassivadora:

  • Em regra, o verbo tem que ser transitivo direto (VTD) ou transitivo direto e indireto (VTDI);

  • A frase vem na voz passiva sintética (VTD/VTDI + pronome “se”);

  • É possível passar para a voz passiva analítica (verbo ser/estar + particípio);

  • Há sujeito paciente;

  • Não há objeto direto, pois o alvo da ação exercerá a função de sujeito paciente;

No que tange à concordância, o verbo deverá concordar com o sujeito (singular ou plural).


Exemplos:

  • Vendem-se casas.

  • Esperava-se que os políticos fossem honestos.

  • Notou-se que a paz se perdera.


Índice de Indeterminação do Sujeito (ÍIS)

Situação em que o “se” é um pronome que vem ligado a um verbo transitivo indireto (VTI), intransitivo (VI) ou de ligação (VL), indeterminando o sujeito. Este (o sujeito) será indeterminado quando você não conseguir identificar quem ele é. Você consegue perceber que existe um sujeito, mas não é possível identificar quem este é.


Requisitos para que o vocábulo “se” seja índice de indeterminação do sujeito:

  • A frase não pode conter sujeito explícito ou, ainda, subentendido;

  • Frase na voz ativa;

  • Frase não admite transposição para a voz passiva analítica. Isso significa que, em regra, a frase não poderá ter VTD ou VTDI, posto que a transitividade direta é requisito para se transformar a frase na voz passiva;

  • Normalmente, acompanha verbo transitivo indireto (VTI), verbo intransitivo (VI) ou de ligação (VL). No entanto, é possível a incidência do ÍIS se a frase contiver VTD + OD preposicionado (caso raríssimo da nossa gramática).


No que tange à concordância, o verbo ficará obrigatoriamente na terceira pessoa do singular, pois o verbo tem que concordar com o sujeito e se o sujeito estiver indeterminado pelo pronome “se”, com quem irá concordar se não é possível saber quem o sujeito é de fato? Simples assim...


Exemplos:

  • Precisa-se de ajudantes.

  • Vive-se em São Paulo.

  • Era-se infeliz.

  • Bebeu-se do vinho (caso raríssimo)


ÍIS x PA

O “se” como índice de indeterminação do sujeito ou pronome apassivador merece destaque. Veja a tabela a seguir comparando as principais diferenças entre esses dois tipos:


 

Partícula “SE” Substantivo

A depender do contexto, a palavra “se” poderá exercer a função de um substantivo. Trata-se de uma derivação imprópria, isto é, qualquer palavra da língua portuguesa poderá desempenhar a função de um substantivo quando vier antecedida por um artigo.

Exemplos:

  • Esqueça o “se” e invista nos seus sonhos.

  • Você adora um “se”. (Djavan)

  • O “se” é uma partícula cheia de mistérios.

Por ser fácil de se perceber, é difícil ser cobrado em provas.


 

Partícula “SE” Sujeito de Verbo no Infinitivo

Em que pese não ser um tipo de “se” recorrente em provas, é importante que você conheça essa outra função da partícula em estudo. O “se”, nesse caso, ocorre em orações substantivas reduzidas de infinitivo que complementam os chamados verbos causativos (mandar, deixar, fazer) e sensitivos (ver, ouvir, sentir), exercendo a função de sujeito da oração do infinitivo subsequente.

Esse é o único caso na língua portuguesa em que o “se” exerce a função de sujeito.

Importante destacar que esses verbos sensitivos ou causativos não serão auxiliares em uma locução verbal. O primeiro verbo ficará em uma oração e o outro verbo ficará em outra oração.

Exemplo:

  • Pedro sentiu-se desanimar.

Pedro: sujeito do verbo “sentir”

Se”: sujeito de infinitivo (desanimar)

>> tem sentido de reflexividade, mas não é pronome reflexivo!

Atenção!

Professor Claiton Natal me ajudou a compreender que, nesse caso especial, o “se” exercerá:

  • Função sintática de sujeito de infinitivo.

  • Função semântica de pronome reflexivo.

As bancas não costumam explorar isso em provas; eu não vi nenhuma questão indo tão a fundo no assunto (e olha que resolvi várias), mas é bom sempre estarmos atentos aos menores detalhes, pois conhecimento a mais nunca é demais.

 

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Agradeço aos meus queridos professores pelas dúvidas esclarecidas no decorrer do desenvolvimento deste material. Saibam que sinto por vocês grande apreço!


  • Adriana Figueiredo – Curso AF Adriana Figueiredo

  • Clô Ferreira – Qualis Concursos

  • Claiton Natal – Gran Cursos On-line

  • Flávia Rita – Curso Flávia Rita

  • Valdeci Lopes – Qualis Concursos

  • Wilson Rochenbach Nunes – Rede Clube do Concurso Atualizar

 

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